09/05/2011

3. Temporal


O tempo rasteja no telhado
depois de se fazerem filhos e dívidas,
e as dúvidas brotarem nas frestas
da porta.

O tempo trança bordados no rosto
e manchas na mão,
mas a gente não muda: ainda chove
no escuro e um pássaro começa a cantar,
um amigo morre antes dos quarenta anos,
e nossa mãe, com quase cem, nem está
nem se ausenta.

Como tudo o mais,
o tempo não tem explicação:
corrói e transfigura, expande
ou empobrece, conforme a escolha
de cada um.

(Eu, com medo e susto,
escolho a multiplicação.)

Lya Luft, in:
Para não dizer adeus.

Um comentário:

Pais Excelentes disse...

Boa Tarde. Li seu comentário em meu blog. Agradeço pelo carinho e atenção em "dar uma passadinh" la para ler as mensagens. Com certeza dará um ótimo tema. Irei escreve-lo com certeza. Grande abraço.