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26/12/2011

Timidez



Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve...

- mas só esse eu não farei.

Uma palavra caída
das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares
e une as terras mais distantes...

- palavra que não direi.

Para que tu me adivinhes,
entre os ventos taciturnos,
apago meus pensamentos,
ponho vestidos noturnos,

- que amargamente inventei.

E, enquanto não me descobres,
os mundos vão navegando
nos ares certos do tempo,

até não se sabe quando...

e um dia me acabarei.

Cecília Meireles




06/02/2011

A Chuva Chove…

A chuva chove mansamente… como um sono
que tranquilize, pacifique, resserene…

A chuva chove mansamente… Que abandono!

A chuva é a música de um poema de Verlaine…

E vem-me o sonho de uma véspera solene,
em certo paço, já sem data e já sem dono…

Véspera triste como a noite, que envenene
a alma, evocando coisas líricas de outono…

…Num velho paço, muito longe, em terra estranha,

com muita névoa pelos ombros da montanha…

Paço de imensos corredores espectrais,

onde murmurem, velhos órgãos, árias mortas,

enquanto o vento, estrepitando pelas portas,

revira in-fólios, cancioneiros e missais…

Cecília Meireles