14/11/2010

A uma ausência

Sinto-me, sem sentir, todo abrasado

no rigoroso fogo que me alenta;

o mal que me consome me sustenta;

o bem que me entretém me dá cuidado.


Ando sem me mover, falo calado;

o que mais perto vejo se me ausenta,

e o que estou sem ver mais me atormenta;

alegro-me de ver-me atormentado.


Choro no mesmo ponto em que me rio;

no mor risco que me anima a confiança;

do que menos se espera estou mais certo.


Mas se de confiado desconfio,

é porque, entre os receios da mudança,

ando perdido em mim como em deserto.

Antonio Barbosa Bacelar

Século XVIII








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