27/04/2011

Amores

"O Céu pode nos dar um conforto celestial - e nenhum outro. E a Terra não pode nos dar conforto terreno algum... Nós fomos feitos para Deus. [...] Quando virmos a face de Deus, nós vamos saber que sempre soubemos. ELE participou de todas as nossas experiências de amor inocente na Terra - ELE as criou, manteve e moveu interiormente cada instante. Tudo que havia de amor verdadeiro nelas sempre foi, mesmo na Terra, bem mais dEle que nosso, e nosso apenas porque dEle. No Céu não haverá dor ou dever de abandonar nossos Amados terrenos. Primeiro, porque já os teremos abandonado, trocado os retratos pelo Original, os riachos pela Fonte, as criaturas que Ele tornou amáveis pelo Amor Absoluto. Segundo, porque encontraremos todos eles Nele. Amando a ELE mais que que a eles (nossos amados), nós os amaremos mais do que amamos hoje. [...] Aqui embaixo tudo é perda e renúncia."
(C. S. Lewis, Os quatro amores, Ed. Martins Fontes)

26/04/2011

Tortura


Tirar dentro do peito a emoção,
A lúcida verdade, o sentimento!
- E ser, depois de vir do coração,
Um punhado de cinza esparso ao vento!...

Sonhar um verso d'alto pensamento,
E puro como um ritmo d'oração!
- E ser, depois de vir do coração,
O pó, o nada, o sonho dum momento!...

São assim ocos, rudes, os meus versos:
Rimas perdidas, vendavais dispersos,
Com que eu iludo os outros, com que minto!

Quem me dera encontrar o verso puro,
O verso altivo e forte, estranho e duro,
Que dissesse, a chorar, isto que sinto!

Florbela Espanca

21/04/2011

Aqui eu te amo.


Aqui eu te amo.
Nos escuros pinheiros se desenlaça o vento.
Fosforece a lua sobre as águas errantes.
Andam dias iguais a perseguir-se.
Descinge-se a névoa em dançantes figuras.
Uma gaivota de prata se desprende do ocaso.
Às vezes uma vela. Altas, altas, estrelas.
Ou a cruz negra de um barco.
Só.
Às vezes amanheço, e minha alma está úmida.
Soa, ressoa o mar distante.
Isto é um porto.
Aqui eu te amo.
Aqui eu te amo e em vão te oculta o horizonte.
Estou a amar-te ainda entre estas frias coisas.
Às vezes vão meus beijos nesses barcos solenes,
que correm pelo mar rumo a onde não chegam.
Já me creio esquecido como estas velha âncoras.
São mais tristes os portos ao atracar da tarde.
Cansa-se minha vida inutilmente faminta.
Eu amo o que não tenho. E tu estás tão distante.
Meu tédio mede forças com os lentos crepúsculos.
Mas a noite enche e começa a cantar-me.
A lua faz girar sua arruela de sonho.
Olham-me com teus olhos as estrelas maiores.
E como eu te amo, os pinheiros no vento,
querem cantar o teu nome, com suas folhas de cobre.

***
Pablo Neruda

18/04/2011

Aninha e suas pedras


Não te deixes destruir...

Ajuntando novas pedras

e construindo novos poemas.

Recria tua vida, sempre, sempre.

Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.

Faz de tua vida mesquinha

um poema.E viverás no coração dos jovens

e na memória das gerações que hão de vir.

Esta fonte é para uso de todos os sedentos.

Toma a tua parte.Vem a estas páginas

e não entraves seu uso

aos que têm sede.


Cora Coralina (Outubro, 1981)
 






























15/04/2011

Maria das Quimeras

(Os Girassóis, Vincent Van Gogh, 1888)

"Maria das Quimeras me chamou alguém...
Pelos castelos que eu ergui
P'las flores d'oiro e azul que a sol teci
Numa tela de sonho que estalou.
.
Maria das Quimeras me ficou;
Com elas na minh'alma adormeci.
Mas, quando despertei, nem uma vi
Que da minh'alma, Alguém, tudo levou!
.
Maria das Quimeras, que fim deste
Às flores d'oiro e azul que a sol bordaste,
Aos sonhos tresloucados que fizeste?
.
Pelo mundo, na vida, o que é que esperas?...
Aonde estão os beijos que sonhaste,
Maria das Quimeras, sem quimeras?..."
.
Florbela Espanca

14/04/2011

"Mãos"


"Mãos..."


Como aves desarvoradas

Depois de roteiros vãos

Tuas mãos vieram, cansadas,

Se aninhar em minhas mãos...

Há momentos... Acontece...

Puro, o amor pode ficar,

Como duas mãos em prece,

Esquecidas, a rezar...

Quando maior é o carinho

Às vezes, tenho a impressão

De que conversam baixinho...

Tua mão... em minha mão..."

 


J. G. de Araújo Jorge (1914 / 1987),
do livro "Trevo de Quatro Versos"
1a ed. 1964
 




10/04/2011

É outono.

É outono. E é Verlaine... O Velho Outono
Ou o Velho Poeta atira-me à janela
Uma das muitas folhas amarelas
De que ele é o dispersivo dono...

E há uns salgueiros a pender de sono
Sobre um fundo de pálida aquarela.


Mário Quintana

08/04/2011

Basta pensar

Basta pensar em sentir
Para sentir em pensar.
Meu coração faz sorrir
Meu coração a chorar.
Depois de parar de andar,
Depois de ficar e ir,
Hei de ser quem vai chegar
Para ser quem quer partir.

Viver é não conseguir.

Fernando Pessoa

06/04/2011

Mãos Dadas



Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considere a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.

Carlos Drummond de Andrade

29/03/2011

Noites de Tormenta (Nights in Rodanthe, 2008 - EUA/Austrália)



Adrienne Willis (Diane Lane) vive num caos, o que faz a buscar refúgio em Rodanthe, uma pequena cidade litorânea na Carolina do Norte, para onde vai cuidar da pousada da amiga Jean (Viola Davis), esperando poder refletir sobre seus problemas com Amanda (Mae Whitman), a filha adolescente, com o filho de 9 anos, Danny (Charlie Tahan) e com o ex-marido, Jack (Christopher Meloni ), que quer voltar para casa. O único hóspede é dr. Paul Flanner (Richard Gere), que enfrenta uma crise de consciência. Durante mais um furacão, comum na quela região, eles vão se conhecendo, buscando consolo e apoio um no outro, tendo um fim de semana que mudará para sempre as suas vidas.
 
Minha nota: *****

Site Oficial: www.noitesdetormenta.com.br









"Há um tipo de amor que nos faz pensar que tudo é possível. Você pode ter um amor assim. Não se contente com menos que isso!"

Patê de Tofu

Ingredientes

250 gramas de tofu
3 cenouras cozidas (200 g)
2 alhos crus descascados
1 col. (sopa) de azeite de oliva extra-virgem processado a frio
2 col. (sopa) de salsinha picada
sal à gosto


Modo de Preparo
Bata todos os ingredientes no liqüidificador e sirva com torradas de pão integral (de linhaça, de aveia, centeio).
Rendimento = 18 col. (sopa) de 25 gramas
Calorias por porção = 20


 
Benefícios do Patê de Tofu

Feito a partir do leite de soja, o tofu é um queijo de sabor levemente adocicado e considerado rica fonte de proteínas de alto valor biológico. Tem baixo valor calórico (100 gramas = 73 calorias), é isento de colesterol e apresenta pouquíssima quantidade de gorduras saturadas. É fonte de cálcio, ferro, fósforo, sódio e vitaminas B e E. Contribui para a prevenção de doenças cardiovasculares e ainda pode auxiliar no emagrecimento, uma vez que a soja tem ação termogênica. O Tofu pode substituir com sucesso o queijo de leite de vaca. Seu uso na culinária é bastante versátil, pode ser usado tanto em pratos doces como salgados.

28/03/2011

O Gladiador (Gladiator, 2000, EUA)



O ano é de 180 d.C. e o general romano Maximus, servindo ao seu imperador Marco Aurélio, prepara seu exército para impedir a invasão dos bárbaros germânicos. Após o combate, Maximus fica sabendo que Marco Aurélio, já velho e ciente de sua morte, quer lhe passar o comando do Império Romano. A trama onde Commodus, filho do imperador, mata o pai, assumindo o comando do Império, não é historicamente verídica. Na verdade, Commodus assumiu quando seu pai morreu afetado por uma peste, adquirida durante uma nova campanha no Danúbio. Enquanto Commodus assume o trono, Maximus que escapa da morte, torna-se escravo e gladiador, travando batalhas sangrentas no Coliseu, a nova forma de divertimento dos romanos. Maximus, disposto a vingar o assassinato de sua mulher e de seu filho, sabe que é preciso triunfar para ganhar a confiança da platéia. Acumulando cadáveres nas arenas o gladiador luta por uma causa pessoal, de forma quase que solitária e leva benefícios ao povo, submetido pela política do "pão e circo". "Nesta vida ou na próxima eu terei minha vingança". Maximus sabe que o controle da multidão será vital para que possa arquitetar sua vingança, que culmina em um combate com o próprio Commodus.
O filme foi indicado a vários prêmios, vencendo cinco Oscars incluindo o de Melhor Filme.





Elenco:
Russell Crow - Máximus Décimus Meridius


Joaquin Phoenix - Cómodo


Connie Nielsen-  Lucila


Oliver Reed - Antônio Próximo


Richard Harris - Marco Aurélio


Derek Jacobi - Gracco


Djimon Hounsou - Juba


David Schofield  -Falco


John Shrapnel - Gaius


Tomas Arana - Quintus


Tommy Flanagan - Cícero



Minha nota: *****

26/03/2011

Suplício de uma Saudade (A Love Is a Many Splendored Thing, 1955)



Esta é uma das mais lindas e famosas histórias de amor das telas cinematográficas. Ambientado em Hong Kong durante a Guerra da Coréia, o filme narra a história de um correspondente de guerra americano (William Holden) e seu amor por uma linda médica eurasiana (Jennifer Jones). À medida que seu amor cresce, surgem problemas para atrapalhar sua felicidade. Ele deixou uma esposa em casa, e ela enfrenta a desaprovação de sua família e amigos. O destino também não parece querer ajudar. Todo o exótico esplendor de Hong Kong foi brilhantemente capturado pela magnífica fotografia de Leon Shamroy, e a trilha sonora vencedora vencedora do Oscar® (Melhor Trilha Sonora, 1955) e a canção título (Melhor Canção Original, 1955) está entre as melhores já compostas para o cinema. Suplício de uma Saudade é indiscutivelmente um ponto alto da melhor tradição em filmes românticos de Hollywood.

Direção: King Vidor

Elenco:

William Holden...Mark ElliottJennifer Jones...Dr. Han SuyinTorin Thatcher...Mr. Palmer-JonesIsobel Elsom...Adeline P. JonesMurray Matheson...Dr. John Keith

AL DI LA

22/03/2011

Se eu te amasse mais...

“Se eu te amasse mais do que te amo agora,
Não teria a certeza que tenho de que vivo.
Eu vou te amar assim por essa vida afora,
Guardando pra nós dois a causa e o motivo.


Se eu te amasse mais do que te amo agora,
Eu sei que meu olhar não te diria tanto,
Não te amei de repente e nem escolhi a hora,
Mas cuide deste amor mesmo que haja pranto.


Às vezes, como hoje, eu só te sorriria.
Mas não importa muito, no amor não há demora.
E se te amasse mais talvez eu erraria.


Te dou o amor que tenho, amor que ri e que chora,
Seria um tempo em vão, eu sei que morreria,
Se eu te amasse mais do que te amo agora”.
 
Letra de Martinha (Martha Vieira Figueiredo Cunha)
“[...] Minha vida é monótona. [...] Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas... É preciso ser paciente[...]


- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde às três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade!”
...] Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos [...]



- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar [...]


- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.


- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.


- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...”
 
A Raposa - O Pequeno Príncipe, Antoine de Saint-Éxupéry.

21/03/2011

" Desabafo..."

" Desabafo..."

Longe de ti, este amor me põe agitado

como um mar de agosto.

Eu precisaria talvez de fazer uma sangria

nesta angustiosa saudade

que carrego opresso, tantas horas

como um sonho desenganado.

Recuo sempre, entretanto. Avaramente recuo.

Não sei partilhar-te com ninguém,

ainda que seja para aliviar
o coração.

J. G. de Araújo Jorge

19/03/2011

A verdadeira arte de viajar


A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,

Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.

Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali...

Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!



(Mário Quintana in “A cor do invisível”)









16/03/2011

Por quem os sinos dobram?


“Nenhum homem é uma ilha, sozinho em si mesmo; cada homem é parte do continente, parte do todo; se um seixo for levado pelo mar, a Europa fica menor, como se fosse um promontório, assim como se fosse uma parte dos teus amigos ou mesmo sua; a morte de qualquer homem me diminui, porque eu sou parte da humanidade. E por isso, nunca procure saber por quem os sinos dobram; eles dobram por ti e por mim."
John Donne

15/03/2011

Vaga história

...Vaga história comezinha
que, pela voz das vozes, era a minha...
Quem sou eu? Eles sabem e passaram.
Fernando Pessoa

14/03/2011

A vida

"... A vida é assim, segue e verás, - a vida

é um dia de esperança, um longo poente

de incertezas cruéis, e finalmente

a grande noite estranha e dolorida...



Hoje o sol, hoje a luz, hoje contente

a estrada a percorrer suave e florida...

- amanhã, pela sombra, inutilmente

outra sombra a vagar, triste e perdida...



A vida é assim, é um dia de esperança

uma réstia de luz entre dois ramos

que a noite envolve cedo, sem tardança...



E enquanto as sombras chegam, nós, ao vê-las,

ainda somos felizes e encontramos

a saudade infinita das estrelas!..."


J. G. de Araujo Jorge

04/03/2011

Somewhere In Time/ Em Algum Lugar do Passado - 1980



Universidade de Millfield, maio de 1972. Richard Collier (Christopher Reeve) é um jovem teatrólogo que conhece na noite de estréia da sua primeira peça uma senhora, idosa, que lhe dá um antigo relógio de bolso enquanto, em tom de súplica, lhe diz: "volte para mim". Ela se retira sem dizer mais nada, deixando Richard intrigado enquanto volta para seu quarto no Grand Hotel. Chicago, 1980. Richard não consegue terminar sua nova peça, assim decide viajar sem destino certo e resolve se hospedar no Grand Hotel. Lá resolve visitar o Salão Histórico, que esta está repleto de antiguidades e curiosidades do hotel, e fica encantado com a fotografia de uma bela mulher. Como não havia plaqueta de identificação Richard procura Arthur Biehl (Bill Erwin), um antigo funcionário do hotel, que diz para Richard que o nome dela é Elise McKenna (Jane Seymour), uma atriz famosa que fez uma peça no teatro do hotel em 1912. Collier fica tão obcecado com o rosto de Elise que decide não partir e então vai até uma biblioteca próxima, onde pesquisa sobre McKenna. Para sua surpresa descobre que Elise é a mesma mulher que lhe deu o relógio, que ele carrega até hoje. Richard então procura Laura Roberts (Teresa Wright), que escreveu o artigo sobre Elise. Inicialmente ela não o recebe bem, mas quando ele mostra o relógio Laura fica espantada, pois era uma objeto de estimação que ela nunca se separava e sumiu na noite em que ela morreu, ou seja, na noite em que falou com Richard. Ao conversar mais calmamente com Laura, Richard toma consciência que ele e Elise tinham vários fatores em comum, mas parece que para achar a peça que falta deste bastante intricado quebra-cabeças ele terá de ir em algum lugar do passado, mas para isto precisa se desligar totalmente do presente. (http://www.adorocinema.com.br/)

28/02/2011

Barry Manilow: If Tomorrow Never Comes

Sometimes late at night (Se o amanhã não chegar)

Sometimes late at night

I lie awake and watch her sleeping

She's lost in peaceful dreams

So I turn out the lights and lay there in the dark

And the thought crosses my mind

If I never wake up in the morning

Would she ever doubt the way I feel

About her in my heart



If tomorrow never comes

Will she know how much I loved her

Did I try in every way to show her every day

That she's my only one

And if my time on earth were through

And she must face the world without me

Is the love I gave her in the past

Gonna be enough to last

If tomorrow never comes



'Cause I've lost loved ones in my life

Who never knew how much I loved them

Now I live with the regret

That my true feelings for them never were revealed

So I made a promise to myself

To say each day how much she means to me

And avoid that circumstance

Where there's no second chance to tell her how I feel



If tomorrow never comes

Will she know how much I loved her

Did I try in every way to show her every day

That she's my only one

And if my time on earth were through

And she must face the world without me

Is the love I gave her in the past

Gonna be enough to last

If tomorrow never comes



If tomorrow never comes

Will she know how much I loved her

Did I try in every way to show her every day

That she's my only one

And if my time on earth were through

And she must face the world without me

Is the love I gave her in the past

Gonna be enough to last

If tomorrow never comes



So tell that someone that you love

Just what you're thinking of

If tomorrow never comes

26/02/2011

Passagem das horas

Passagem das horas

Trago dentro do meu coração,
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,

Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,

Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero.



Fernando Pessoa

(in "Quando fui outro", Ed. Objetiva, 2006, pág. 101)

25/02/2011

Errante

Meu coração dos rubros vinhos
Rasga a mortalha do meu peito brando
E vai fugindo, e tonto vai andando
A perder-se nas brumas do caminho.

Meu coração, o místico profeta,
O paladino audaz da desventura,
Que sonha ser um santo e um poeta,
Vai procurar o Paço da Ventura...

Meu coração não chega lá decerto...
Não conhece o caminho nem o trilho,
Não há memória desse sítio incerto...

Eu tecerei uns sonhos irreais...
Como essa mãe que viu partir o filho,
Como esse filho que não voltou mais!

Florbela Espanca
in:
A mensageira das violetas.

21/02/2011

Jura Secreta

Jura Secreta (Fagner)

Composição: Sueli Costa / Abel Silva


Só uma coisa me entristece

O beijo de amor que não roubei

A jura secreta que não fiz

A briga de amor que eu não causei



Nada do que posso me alucina

Tanto quanto o que não fiz

Nada do que eu quero me suprime

Do que por não saber ainda não quis



Só uma palavra me devora

Aquela que meu coração não diz

Só o que me cega, o que me faz infeliz

É o brilho do olhar que eu não sofrí.

http://youtu.be/4nXS40tGXf0


























20/02/2011

" Solidão "


Solidão

é de repente perceber

que todos viraram multidão

e em meio às lembranças, sem rosto, desfiguradas,

não conhecemos ninguém...



Solidão

é de repente compreender

que já não há mais tempo para nada,

e que temos que terminar, assim

como quem começa... do fim...



Solidão é imprevistamente estar órfão

junto dos pais,

desamparado e triste quando os amigos

riem a cantam,

e o amor, aquele amor de sonho e sol,

pesar nos braços

como um esquife . . .



Solidão

é de repente se olhar no espelho

sem se encontrar,

sem ver mais nada,

como quem se debruça a uma janela

emparedada...




J. G. de Araújo Jorge 

"Os Mais Belos Poemas Que O Amor Inspirou"

Vol. III - 1a edição 1965

19/02/2011

Bond, James Bond

James Bond, também conhecido pelo código 007, é um agente secreto fictício do serviço de espionagem britânico MI-6, criado pelo escritor Ian Fleming em 1953.
Os filmes de 007 foram produzidos inicialmente por Harry Saltzman e Albert Broccoli, detentores dos direitos cinematográficos de quase toda a obra já escrita por Ian Fleming e donos da produtora EON (Everything or Nothing). Em 1975, Saltzman abandonou a franquia. Desde 1995, os filmes são produzidos pela filha de Albert, Barbara Broccoli, e seu meio-irmão, Michael G. Wilson.

James Bond já foi interpretado por seis atores na série oficial:
Sean Connery (1962–1967;1971;1983 cujo filme não faz parte da saga original)
George Lazenby (1969)
Roger Moore (1973–1985)
Timothy Dalton (1987–1989)
Pierce Brosnan (1995–2002)
Daniel Craig (2006–...)

As famosas canções-título também marcaram época,[5] como Goldfinger, Diamonds Are Forever e Moonraker, na voz da cantora britânica Shirley Bassey.
Nobody Does It Better, tema de The Spy Who Loved Me, cantada por Carly Simon e líder de todas as paradas de FM do fim dos anos 1970, ou Goldeneye, com Tina Turner (http://www.youtube.com/watch?v=bkBYVNrjjIs), ajudaram os filmes de Bond a se tornarem os mais populares filmes de aventura e espionagem em todo o mundo.
No filme de 1973, Live and Let Die, Paul McCartney interpreta uma canção tema com o mesmo título da película.
A música-tema do filme Somente Para Seus Olhos, For Your Eyes Only (http://www.youtube.com/watch?v=iVDwmLDx3dg), foi interpretada por Sheena Easton. A canção tornou-se um sucesso nas paradas e foi indicada ao Oscar e o Globo de Ouro.
Bandas famosas como Duran Duran (A View to a Kill- música indicada ao Globo de Ouro e número 1 na Billboard Hot 100) e A-ha (The Living Daylights) interpretaram músicas-temas no auge de suas carreiras.
Até mesmo Madonna teve uma canção na abertura de Die Another Day, e o grupo Garbage também colaborou com uma canção de mesmo nome do filme The World is Not Enough, em 1999.
O cantor Chris Cornell, ex-integrante das bandas Audioslave, Soundgarden e Temple of the Dog, foi o responsável pela canção-tema "You Know My Name", em Casino Royale, de 2006. Em 2008, para o filme Quantum of Solace, a cantora Alicia Keys e o cantor Jack White cantaram, juntos, a música Another Way to Die.

Filmografia
Título original Título no Brasil Título em Portugal Ano Actor principal

Dr. No O Satânico Dr. No (cinema e televisão)/007 contra o satânico Dr. No (vídeo) 007 - O Agente secreto 1962 Sean Connery

From Russia with Love Moscou contra 007 007 - Ordem para matar 1963 Sean Connery

Goldfinger 007 contra Goldfinger 007 - Contra Goldfinger 1964 Sean Connery

Thunderball 007 contra a chantagem atômica 007 - Operação Relâmpago 1965 Sean Connery

You Only Live Twice Com 007 só se vive duas vezes 007 - Só se vive duas vezes 1967 Sean Connery

On Her Majesty's Secret Service 007 a serviço secreto de Sua Majestade 007 - Ao serviço de Sua Majestade 1969 George Lazenby

Diamonds Are Forever 007 - Os diamantes são eternos 007 - Os diamantes são eternos 1971 Sean Connery

Live and Let Die Com 007 viva e deixe morrer 007 - Vive e deixa morrer 1973 Roger Moore

The Man with the Golden Gun 007 contra o homem com a pistola de ouro 007 - O Homem da Pistola Dourada 1974 Roger Moore

The Spy Who Loved Me 007 - O espião que me amava 007 - Agente Irresistível 1977 Roger Moore

Moonraker 007 contra o foguete da morte 007 - Aventura no Espaço 1979 Roger Moore

For Your Eyes Only 007 - Somente para seus olhos 007 - Missão ultra-secreta 1981 Roger Moore

Octopussy 007 contra Octopussy 007 - Operação Tentáculo 1983 Roger Moore

A View to a Kill 007 na mira dos assassinos 007 - Alvo em Movimento 1985 Roger Moore

The Living Daylights 007 marcado para a morte 007 - Risco Imediato 1987 Timothy Dalton

Licence to Kill 007 - Permissão para matar 007 - Licença para matar 1989 Timothy Dalton

GoldenEye 007 contra GoldenEye 007 - GoldenEye 1995 Pierce Brosnan

Tomorrow Never Dies 007 - O amanhã nunca morre 007 - O Amanhã Nunca Morre 1997 Pierce Brosnan

The World Is Not Enough 007 - O mundo não é o bastante 007 - O Mundo não Chega 1999 Pierce Brosnan

Die Another Day 007 - Um novo dia para morrer 007 - Morre Noutro Dia 2002 Pierce Brosnan

Casino Royale 007 - Cassino Royale 007 - Casino Royale 2006 Daniel Craig

Quantum of Solace 007 - Quantum of Solace 007 - Quantum of Solace 2008 Daniel Craig

15/02/2011

Ode ao Gato




Os animais foram

imperfeitos,

compridos de rabo, tristes

de cabeça.

Pouco a pouco se foram

compondo,

fazendo-se paisagem,

adquirindo pintas, graça vôo.

O gato,

só o gato apareceu completo

e orgulhoso:

nasceu completamente terminado,

anda sozinho e sabe o que quer.



O homem quer ser peixe e pássaro,

a serpente quisera ter asas,

o cachorro é um leão desorientado,

o engenheiro quer ser poeta,

a mosca estuda para andorinha,

o poeta trata de imitar a mosca,

mas o gato

quer ser só gato

e todo gato é gato do bigode ao rabo,

do pressentimento à ratazana viva,

da noite até os seus olhos de ouro.



Não há unidade

como ele,

não tem

a lua nem a flor

tal contextura:

é uma coisa

só como o sol ou o topázio,

e a elástica linha em seu contorno

firme e sutil é como

a linha da proa de uma nave.

Os seus olhos amarelos

deixaram uma só

ranhura

para jogar as moedas da noite .



Oh pequeno imperador sem orbe,

conquistador sem pátria,

mínimo tigre de salão, nupcial

sultão do céu

das telhas eróticas,

o vento do amor

na intempérie

reclamas

quando passas

e pousas

quatro pés delicados

no solo,

cheirando,

desconfiando

de todo o terrestre,

porque tudo

é imundo

para o imaculado pé do gato.



Oh fera independente

da casa, arrogante

vestígio da noite,

preguiçoso, ginástico

e alheio,

profundíssimo gato,

polícia secreta

dos quartos,

insígnia

de um

desaparecido veludo,

certamente não há

enigma na tua maneira,

talvez não sejas mistério,

todo o mundo sabe de ti e pertences

ao habitante menos misterioso

talvez todos acreditem,

todos se acreditem donos,

proprietários, tios

de gato, companheiros,

colegas,

discípulos ou amigos do seu gato.



Eu não.

Eu não subscrevo.

Eu não conheço o gato.

Tudo sei, a vida e o seu arquipélago,

o mar e a cidade incalculável,

a botânica

o gineceu com os seus extravios,

o pôr e o menos da matemática,

os funis vulcânicos do mundo,

a casca irreal do crocodilo,

a bondade ignorada do bombeiro,

o atavismo azul do sacerdote,

mas não posso decifrar um gato.

Minha razão resvalou na sua indiferença,

os seus olhos têm números de ouro.

Tradução: Eliane Zagury