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12/05/2010

" Cinzas "







Cinzas... Poeira que ardeu, que arrefece e que esfria...

Cinzas... Que em tênue bloco um milagre sustenta,

e o vento desmorona e rola em tropelia


e anônimas desfaz na terra pardacenta...





Restos do que brilhou da vida na tormenta:


cinzas, que sois como eu, labareda vazia,


guardais no corpo inane do que ardia,


mas no âmago gelado a morte se apascenta.



Cinzas... Nesse conjunto em que esta alma se espelha

vejo a ruína do fogo, a escória da centelha,

o cadáver da luz que o vento leva a esmo.




 
E eu, neste coração que em cinzas se esboroa,

- cinzas das ilusões - sinto levado, à toa,

o cadáver do amor que jaz dentro de mim mesmo...
*
Carlos Porto Carreiro (1865 / 1932)