Cinzas... Poeira que ardeu, que arrefece e que esfria...
Cinzas... Que em tênue bloco um milagre sustenta,
e o vento desmorona e rola em tropelia
Restos do que brilhou da vida na tormenta:
Cinzas... Nesse conjunto em que esta alma se espelha
vejo a ruína do fogo, a escória da centelha,
o cadáver da luz que o vento leva a esmo.
E eu, neste coração que em cinzas se esboroa,
- cinzas das ilusões - sinto levado, à toa,
o cadáver do amor que jaz dentro de mim mesmo...
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Carlos Porto Carreiro (1865 / 1932)
