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17/02/2012

Temas e Voltas

Mas para quê
tanto sofrimento,
se nos céus há o lento
deslizar da noite?
Mas para quê
tanto sofrimento,
se lá fora o vento
é um canto na noite?
Mas para quê
tanto sofrimento,
se agora, ao relento,
cheira a flor da noite?
Mas para quê
tanto sofrimento,
se o meu pensamento
é livre na noite?”

(Manuel Bandeira)

29/11/2009

Cantiga


Nas ondas da praia

Nas ondas do mar

Quero ser feliz

Quero me afogar.

.
Nas ondas da praia

Quem vem me beijar?

Quero a estrela-d'alva

Rainha do mar.

.

Quero ser feliz

Nas ondas do mar

Quero esquecer tudo

Quero descansar.

***

Manuel Bandeira
Imagem: gettyimages.com

14/08/2009

SONETO XXVIII


SONETO XXVIII

As minhas cartas! Todas elas frio,

mudo e morto papel! No entanto agora

Lendo-as, entre as mãos trêmulas o fio

da vida eis que retomo hora por hora.


Nesta queria ver-me — era no estio

—Como amiga a seu lado... Nesta implora

Vir e as mãos me tomar... Tão simples! Li-o

E chorei. Nesta diz quanto me adora.


Nesta confiou: sou teu, e empalidece

A tinta no papel, tanto o apertara

Ao meu peito que todo inda estremece!


Mas uma... Ó meu amor, o que me disse

Não digo. Que bem mal me aproveitara,

Se o o que então me disseste eu repetisse...
.
Elizabeth Barret Browning

Tradução: Manuel Bandeira

13/08/2009

Sonetos Portugueses XIV (Elizabeth B . Browning)


Ama-me por amor do amor somente.

Não digas: “Amo-a pelo seu olhar,

o seu sorriso, o modo de falar

honesto e brando. Amo-a porque se sente
.

minh’alma em comunhão constantemente

com a sua”. Por que pode mudar

isso tudo, em si mesmo, ao perpassar

do tempo, ou para ti unicamente.
.

Nem me ames pelo pranto que a bondade

de tuas mãos enxuga, pois se em mim

secar, por teu conforto, esta vontade
.
de chorar, teu amor pode ter fim!

Ama-me por amor do amor, e assim

me hás de querer por toda a eternidade.

.

Elizabeth Barrett Browning

Tradução: Manuel Bandeira

22/06/2009

O anel de vidro


O anel de vidro


Aquele pequenino anel que tu me deste,

– Ai de mim – era vidro e logo se quebrou…

Assim também o eterno amor que prometeste,

- Eterno! era bem pouco e cedo se acabou.

Frágil penhor que foi do amor que me tiveste,

Símbolo da afeição que o tempo aniquilou,

–Aquele pequenino anel que tu me deste,

– Ai de mim – era vidro e logo se quebrou…

Não me turbou, porém, o despeito que investe

Gritando maldições contra aquilo que amou.

De ti conservo no peito a saudade celeste…

Como também guardei o pó que me ficou

Daquele pequenino anel que tu me deste…


Manuel Bandeira

11/06/2009


INGÊNUO ENLEIO


Ingênuo enleio de surpresa

Sutil afago em meus sentidos,

Foi para mim tua beleza,

A tua voz nos meus ouvidos.


Ao pé de ti, do mal antigo

Meu triste ser convalesceu.

Então me fiz teu grande amigo,

E teu afeto se me deu.


Mas o teu corpo tinha a graça

Das aves... Musical adejo...

Vela no mar que freme e passa...

E assim nasceu o meu desejo.


Depois, momento por momento,

Eu conheci teu coração.

E se mudou meu sentimento

Em doce e grave adoração...


MANUEL BANDEIRA (Antologia Poética)

01/12/2007

O Expresso Polar

O filme é baseado no romance de Chris Van Allsburg, mesmo autor de ''Jumanji'' e ''Zathura'', e conta a história de um garoto (Tom Hanks) está acordado na véspera de Natal e, apesar de não acreditar mais em Papai Noel, ele espera por algo que faça com que sua crença na figura natalina retorne. De repente ele ouve um grande barulho, vai para fora e então vê à sua frente um gigantesco trem negro com destino ao Pólo Norte, cujo condutor (Tom Hanks) o convida para embarcar. Ele decide seguir viagem junto com outras crianças, e vão conhecer o Bom Velhinho.
Tom Hanks interpreta cinco persoangens diferentes, inclusive o garoto.
Recebeu 3 indicações ao Oscar, nas seguintes categorias: Melhor Canção Original ("Believe"), Melhor Som e Melhor Edição de Som. Recebeu uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor Canção Original ("Believe").
Site Oficial:
www.oexpressopolar.com.br

Minha nota: ****
Canto de Natal

O nosso menino
Nasceu em Belém.
Nasceu tão-somente
Para querer bem.
Nasceu sobre as palhas
O nosso menino.
Mas a mãe sabia
Que ele era divino.
Vem para sofrer
A morte na cruz,
O nosso menino.
Seu nome é Jesus.
Por nós ele aceita
O humano destino:
Louvemos a glória
De Jesus menino.


(Poesia extraída da "Antologia Poética - Manuel Bandeira", Editora Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 2001, pág. 137).