23/05/2010

Carta a um amor impossível (I)


Recebi tua carta, - e ainda sob o peso
da emoção que me trouxe, eu te escrevo, surpreso,
reavivando na minha lembrança esquecida
certos traços sem cor de uma história perdida:
- falo dos poucos dias que passamos juntos...


Tão longe agora estas! Quantos belos assuntos,
a que eu não quis, nem soube mesmo dar valor,
relembras com um estranho e desvelado amor...
Tua carta é tão doce, e tão cheia de cores
que, dir-se-ia a escreveste com o mel que há nas flores,



sobre o azul de um papel tão azul, que o papel
faz a gente pensar num pedaço de céu!
Impregnado nas folhas chegou até mim,
um perfume sutil e agreste de jasmim
e um pouco do ar sadio e puro de montanha!


Estranha a tua carta, inesperada e estranha!
Deixas nas minhas mãos a tua alma confiante,
ante a revelação desse amor deslumbrante
e abres teu coração, num gesto de ansiedade,
sob a opressão cruel de uma imensa saudade.



Dizes que só por mim tu vives, - que a tristeza
é a companheira fiel que tens por toda parte,
e me falas assim com tamanha franqueza
que eu nem sei que dizer receando magoar-te!
Não compreendo esse amor que revelas por mim
nem mereço a ternura e o enlevo sem fim
de um só trecho sequer de tudo o que escreveste,
- por exemplo, - de um trecho belo e bom, como este:

.......................................................


 
 "Teu olhar é o meu sol! Vivo da sua luz!
- e mesmo que esse amor seja como uma cruz
eu o levarei comigo em meu itinerário!
e o bendirei na dor ascendendo ao Calvário!
Sem ele não existo; e sem ti, meu destino
será vazio, assim como o bronze de um sino
que ficou mutilado e emudeceu seus sons
na orquestra matinal dos outros carrilhões!
Quero ser tua sombra até, - e quando tudo
te abandonar na vida, e o frio, e quedo, e mudo,
encerrarem teu corpo em paz sob um lajedo,
eu ficarei contigo ao teu lado, sem medo,
e sozinha e sem medo eu descerei contigo
oh! meu único amor! oh! meu querido amigo!
- para que os nossos corpos juntos, abraçados,
fiquem na mesma terra em terra transformados!"
............................................................................
Escreves tudo assim, - e eu nem sei que te diga
nesta amarga resposta, oh! minha pobre amiga!
Tarde, tarde demais... Bem me arrependo agora
do amor que te inspirei, daquele amor de outrora
que eu julgava um brinquedo a mais em minha vida
e a quem davas tua alma inteira e irrefletida...
Releio a tua carta, e confesso que sinto
o ter-te que falar sobre esse amor extinto,
um prelúdio de amor que ficou sem enredo
e que só tu tocaste em surdina, em segredo...
Dizes que o que eu mandar, farás... e que és tão minha
que mesmo que não te ame e que fiques sozinha
bastará para ti a lembrança feliz
dos dias de ilusão em que nunca te quis!
E escreves, continuando essa carta que eu leio
com uma vontade louca de parar no meio:

.............................................



J. G. de Araújo Jorge

22/05/2010

Assim...


Assim...

Quem sabe deixarei de amar-te tanto

mas ficarei vendo-te sorrir

num recanto do coração,

na pureza de um lírio,

num luar de noite fria, num crepúsculo rosado,

na manhã lavada de chuva,

ou teu olhar de talvez.

Porque teu sorriso traz-me paz,

qual céu de alvorecer!

Qual menino brincando na areia!

Assim...

Quem sabe deixarei de amar-te tanto

para amar-te um pouco mais!

(autor desconhecido)

21/05/2010

" Declaração de Amor "

" Declaração de Amor "











Não te recordas mais? - Dois anos são passados



após aquela noite clara, e aquele mar



que espraiando distante, ouvir nos fez, calados,



os segredos de amor que estava a murmurar.







Nós dois - Quanta saudade!... Os braços enlaçados



fitávamos sonhando, o azul, cheio de luar,



- e os grãozinhos, de luz, no céu, pulverizados,



numa estrada que além... fugia ao nosso olhar...







- Que mais?... Tudo era belo - e no íntimo casando



a beleza do espaço à beleza da terra



não pude me conter, e os olhos teus fitando







disse: " Que mar feliz!... Que infinito esplendor!...



Que pode haver maior que o céu que tudo encerra



mais belo que esta noite?... E tu disseste:" o amor! "



***
J. G. de Araújo Jorge

20/05/2010

Meu céu interior

"Meu Céu Interior"





Se esses teus olhos, no meu livro, imersos,

encontrarem diversas emoções,

- não tentes decifrar... – mil corações

nós os temos num só, todos diversos...



Os meus poemas aqui, vivem dispersos,

como as estrelas... e as constelações...

- no céu das minhas íntimas visões,

no "meu céu interior..." cheio de versos.



Não procures o poeta compreender...

- Os versos que umas cousas nos desnudam,

Outras cousas, ocultam, sem querer...


19/05/2010

Suave caminho


Assim . . . Ambos assim, no mesmo passo,
iremos percorrendo a mesma estrada;
tu - no meu braço trêmulo amparada,
eu - amparado no teu lindo braço.

Ligados neste arrimo, embora escasso,
venceremos as urzes da jornada . . .
E tu - te sentirás menos cansada,
e eu - menos sentirei o meu cansaço.

E assim, ligados pelos bens supremos,
que para mim o teu carinho trouxe,
placidamente pela Vida iremos

calcando mágoas, afastando espinhos,
como se a escarpa desta Vida fosse

o mais suave de todos os caminhos.
(Mário Paranhos Pederneiras -1867/1915)

18/05/2010

Confissão


Amo-te! Que bem que esta sinceridade me faz!
Poder dizer-te assim, que te amo!
Com que ternura penso sempre em ti,
com quanto amor o teu amor reclamo!

Vejo-te sempre! Estás no meu café, nos discos
que ouço, estás em toda parte onde estou
- tudo me fala de ti, tudo ao redor
de mim me faz lembrar-te!

O sol queima-me as faces - são teus beijos
que eu sinto, são teus braços, são teus olhos,
- me envolvem transbordantes de desejos!

Amo-te! Com violência e embriaguez,
com carinho, com ciúme, com volúpia,
amo-te, como se ama uma só vez!
***
Enedina Chiesa Beltrame

16/05/2010

Se

Se eu pudesse parar a minha vida

e dar a eternidade a um só momento,

- se eu não tivesse o meu destino preso

ao destino das cousas nos espaços...




Se eu pudesse destruir todas as leis

e dentro do Universo que se move

parar meu mundo,



- havia de escolher esse segundo

em que você estivesse nos meus braços!
***
J. G. de Araújo Jorge

 

15/05/2010

Ao longe


Ao longe, o luar,
no rio uma vela
serena a passar, que é que me revela?
Não sei, mas meu ser
tornou-se-me estranho,
e eu sonho sem ver
os sonhos que tenho.
Que angústia me enlaça?
Que amor não se explica?
 É a vela que passa na noite que fica.
***
Fernando Pessoa 

14/05/2010

Noturno


" Noturno "


Os rios da noite passam pelos desvãos do homem,

por todos os pedaços vazios da memória,

pelos olhos secos de tanta sombra.



É uma presença física

de palavras batidas de vida,

de silêncio oscilante da iminência do grito.



As árvores estão sós - o vento é morto

é preciso um avançar exato do gestos

para captar a vida sob as horas imóveis.



Um piano aberto na areia,

diante do mar e das pedras.
***
Antonio Olinto - 1919

Hora de Recomeçar (Safe Harbour - 2007) - Bolo de café e nozes

A vida da jovem Pip (Rebecca Staab) e de sua mãe Ophelie (Melissa Gilbert) desmoronou com a morte do pai e do irmão, em um acidente de avião. Nove meses depois , a garota conhece o pintor Matt Bowels (Brad Johnson) em uma praia deserta da Califórnia, e desta amizade surgem muitas descobertas e confrontos com os sentimentos dos três, que talvez aprendam a amar novamente.
Censura: 10 anos.
Minha nota: ****

13/05/2010

O que eu amo em você


O que eu amo em você - é esse seu ar de meiguice,

esse tom de falar com tanta suavidade,

é esse olhar de carinho inundado de luz

e de felicidade...



O que eu amo em você - são esses olhos mansos,

pedacinhos de um céu todo cheio de luar,

e as suas mãos pequenas como duas conchas

dessas que andam bordando a areia à flor do mar. . .



O que eu amo em você - é essa fragilidade

dos gestos, na inquietude viva do seu ser...

- é essa doçura meiga... esse sorriso brando

que aflora sem querer em seus lábios brincando

sem que eu possa entender...



O que eu amo em você - é essa graça tristonha

que às vezes você põe no que diz ou que faz,

a expressão indecisa e vaga de quem sonha,

que me prendeu quase insensivelmente

e não me solta mais...



O que eu amo em você - é essa inquieta beleza

que um momento está viva... e outro instante nublada...

É esse orgulho sutil que a torna ainda mais linda,

é tudo isso afinal, e é muito mais ainda

porque não disse nada...



O que eu amo em você - é essa facilidade

de me contrariar, de fazer quase sempre

aquilo que não quero e que você deseja

sem me magoar sequer,

- é essa maneira sua de pedir, graciosa,

é esse poder estranho - essa atração estranha

de saber ser bonita... e saber ser mulher !
*

J. G. de Araújo Jorge

12/05/2010

" Cinzas "







Cinzas... Poeira que ardeu, que arrefece e que esfria...

Cinzas... Que em tênue bloco um milagre sustenta,

e o vento desmorona e rola em tropelia


e anônimas desfaz na terra pardacenta...





Restos do que brilhou da vida na tormenta:


cinzas, que sois como eu, labareda vazia,


guardais no corpo inane do que ardia,


mas no âmago gelado a morte se apascenta.



Cinzas... Nesse conjunto em que esta alma se espelha

vejo a ruína do fogo, a escória da centelha,

o cadáver da luz que o vento leva a esmo.




 
E eu, neste coração que em cinzas se esboroa,

- cinzas das ilusões - sinto levado, à toa,

o cadáver do amor que jaz dentro de mim mesmo...
*
Carlos Porto Carreiro (1865 / 1932)


11/05/2010

" Tudo e Nada "


Cantei o amor, o sol que acalentou

as ilusões da minha mocidade.

E não tive ambições nem a vaidade

de me julgar aquilo que não sou.



Cantar foi um prazer, uma ansiedade

de enaltecer o amor que nos juntou.

Mas veio a noite; e o sol que me encantou

escondeu-se nas sombras da saudade.

Alongo o olhar. A cerração é densa.

Não vejo nada. A voz ficou suspensa,

bem sei que para sempre me perdi.


Resta-me apenas o prazer profundo

de não ter sido nada para o mundo,

mas de ter sido tudo para ti.
***
Francisco Espínola de Mendonça

10/05/2010

Feijoada à Minha Moda



Amiga Helena Sangirardi


Conforme um dia prometi

Onde, confesso que esqueci

E embora — perdoe — tão tarde
(Melhor do que nunca!) este poeta

Segundo manda a boa ética

Envia-lhe a receita (poética)

De sua feijoada completa.

Em atenção ao adiantado

Da hora em que abrimos o olho

O feijão deve, já catado

Nos esperar, feliz, de molho

E a cozinheira, por respeito

À nossa mestria na arte

Já deve ter tacado peito

E preparado e posto à parte

Os elementos componentes

De um saboroso refogado

Tais: cebolas, tomates, dentes

De alho — e o que mais for azado
Tudo picado desde cedo

De feição a sempre evitar

Qualquer contato mais... vulgar

Às nossas nobres mãos de aedo.
Enquanto nós, a dar uns toques

No que não nos seja a contento

Vigiaremos o cozimento

Tomando o nosso uísque on the rocks
Uma vez cozido o feijão

(Umas quatro horas, fogo médio)

Nós, bocejando o nosso tédio

Nos chegaremos ao fogão
E em elegante curvatura:

m pé adiante e o braço às costas

Provaremos a rica negrura

Por onde devem boiar postas

De carne-seca suculenta

Gordos paios, nédio toucinho

(Nunca orelhas de bacorinho

Que a tornam em excesso opulenta!)

E — atenção! — segredo modesto

Mas meu, no tocante à feijoada:

Uma língua fresca pelada

Posta a cozer com todo o resto.

Feito o quê, retire-se o caroço

Bastante, que bem amassado

ta-se ao belo refogado

De modo a ter-se um molho grosso

Que vai de volta ao caldeirão

No qual o poeta, em bom agouro

Deve esparzir folhas de louro

Com um gesto clássico e pagão.

Inútil dizer que, entrementes

Em chama à parte desta liça

Devem fritar, todas contentes

Lindas rodelas de lingüiça
Enquanto ao lado, em fogo brando

Dismilingüindo-se de gozo

Deve também se estar fritando

O torresminho delicioso

Em cuja gordura, de resto

(Melhor gordura nunca houve!)

Deve depois frigir a couve

Picada, em fogo alegre e presto.

Uma farofa? — tem seus dias...

Porém que seja na manteiga!

A laranja gelada, em fatias

(Seleta ou da Bahia) — e chega

Só na última cozedura

Para levar à mesa, deixa-se

Cair um pouco da gordura

Da lingüiça na iguaria — e mexa-se.

Que prazer mais um corpo pede

Após comido um tal feijão?

— Evidentemente uma rede

E um gato para passar a mão...

Dever cumprido. Nunca é vã

A palavra de um poeta...— jamais!

Abraça-a, em Brillat-Savarin

 seu Vinicius de Moraes




Do livro "Para viver um grande amor",
Livraria José Olympio Editora -
Rio de Janeiro, 1984, pág. 97.

09/05/2010

Egoísmo... Na Noite de Chuva...




Bem que gosto da chuva a escorrer dos telhados...



a olhar-me com seus olhos vagos e molhados,



e a cirandar com o vento, e a cantar nas esquinas...



E gosto de espiar ao longe, as ruas curvas,



pelo olhar das vidraças molhadas e turvas



embuçadas no véu friorento das neblinas...







Paro de ler às vezes, esquecido, um instante,



e olho a rua estirada... a rua que está morta...



Chove... que há de fazer aquele vulto adiante,



encolhido e encostado ao vão daquela porta ?







Nesses dias assim eu me sinto sozinho...



Egoísmo o meu talvez, só penso em meu conforto...



E o homem que se foi, molhado, no caminho ?



e o barco que sumiu na neblina, sem porto ?







Sinto-me bem... Lá fora pelas ruas quietas,



pelas ruas molhadas, úmidas, sombrias,



passam sombras fugazes, rápidas, discretas



e erradias...







Ouço a chuva que chove... A chuva cai nas ruas.



Aqui dentro, que íntimo bem-estar me invade !



Mas... por onde andarão aquelas crianças nuas



que eu vi num bairro triste e longe da cidade ?







Mas eu gosto da chuva, a chuva me faz bem...



Há dias em que a dor da minha alma é cinzenta,



tenho uns vagos desejos de escutar Chopin



enquanto a chuva chove, enquanto o vento venta...







Tão bom a gente ouvir a chuva assim lá fora



e encolher-se entre quentes lençóis, inconsciente,



sem pensar.. . sem pensar... como eu pensei agora



que há alguém num vão de porta a tiritar doente...



...............................................................................







Meu Deus, por que hei de estar me entristecendo à toa



se essa chuva que canta é tão suave... é tão boa...

...


( Poema de J. G. de Araujo Jorge - do livro



Eterno Motivo

08/05/2010

Os tristes




Em seus caramujos

os tristes sonham silêncios.

Que ausência os habita?

 
Helena Kolody





07/05/2010

" Sensual "




Ainda sinto o teu corpo ao meu corpo colado;



nos lábios, a volúpia ardente do teu beijo;



no quarto a solidão, desnuda, ainda te vejo,



a olhar-me com olhar nervoso e apaixonado...







Partiste!... Mas no peito ainda sinto a ânsia e o latejo



daquele último abraço inquieto e demorado...



- Na quentura do espaço a transpirar pecado,



Ainda baila a figura estranha do desejo...







Não posso mais viver sem ter-te nos meus braços!



- Quando longe tu estás, minha alma se alvoroça



julgando ouvir no quarto o ruído dos teus passos...







Na lembrança revejo os momentos felizes,



e chego a acredita que a minha carne moça



na tua carne moça até criou raízes!...



***************************


(Soneto de J. G. de Araujo Jorge - coletânea -

"Meus Sonetos de Amor "- 1a edição1961 )


Meu olhar

"O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de, vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar ...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar..."

(Alberto Caieiro, heteronômio de Fernando Pessoa)

06/05/2010

SONETO LXV



Se a morte predomina na bravura
Do bronze, pedra, terra e imenso mar,
Pode sobreviver a formosura,
Tendo da flor a força a devastar?


Como pode o aroma do verão
Deter o forte assédio destes dias,
Se portas de aço e duras rochas não
Podem vencer do Tempo a tirania?

Onde ocultar - meditação atroz -
O ouro que o Tempo quer em sua arca?
Que mão pode deter seu pé veloz,

Ou que beleza o Tempo não demarca?
Nenhuma! A menos que este meu amor
Em negra tinta guarde o seu fulgor.
*
Shakespeare 

05/05/2010

Soneto XVIII




Devo igualar-te a um dia de verão?

Mais afável e belo é o teu semblante:

O vento esfolha Maio inda em botão,

Dura o termo estival um breve instante.



Muitas vezes a luz do céu calcina,

Mas o áureo tom também perde a clareza:

De seu belo a beleza enfim declina,

Ao léu ou pelas leis da Natureza.



Só teu verão eterno não se acaba

Nem a posse de tua formosura;

De impor-te a sombra a Morte não se gaba



Pois que esta estrofe eterna ao Tempo dura.

Enquanto houver viventes nesta lida,

Há-de viver meu verso e te dar vida.



*William Shakespeare*

04/05/2010

Antes


Antes que desça a noite,

imprimir na retina
os rostos amados,
o sol
as cores,
o céu de outono
e os jardins da primavera.

Inundar de sons
de vozes
e de música eterna
os ouvidos
antes que os atinja
a maré do silêncio.

Conquistar
os pontos culminantes
da vida,
antes que se esgote
o prazo de permanência
em seu território sagrado.

Helena Kolody

03/05/2010

A Princesa e o Sapo (The Princess and the Frog, 2009, 95 minutos)

Este desenho, da Walt Disney Animation Studios, é o primeiro longa produzido com animação tradicional desde Nem que a Vaca Tussa(Brasil). É a história de Tiana, uma jovem garçonete afro-americana que vive num bairro francês da lendária cidade de Nova Orleans, berço do jazz (dubladora brasileira: Kakau Gomes), e onde pratica-se o vodu. Seu sonho é ter um restaurante, e para isso enfrentará quaisquer dificuldades, até um príncipe folgado e sua amiga rica e mimada, Charlotte La Bouff. Direção: Ron Clements e John Musker.
Minha nota: ****

http://www.youtube.com/watch?v=gqgPzVsJhB8


02/05/2010

Presença


Coragem de andar
sobre os precipícios
sem desfalecer
entre as labaredas
mas não se queimar
com os violentos
e os indiferentes
no mundo inimigo
sem deixar de amar.
***
Helena Kolody

01/05/2010

A maior solidão


"... a maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana. A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo, e que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro. O mais solitário é o que tem medo de amor, o que tem medo de ferir e de ferir-se..."

Vinicius de Moraes
in: "Para viver um grande amor"