25/05/2011
19. Legado
Foi meu pai quem plantou esse álamo
no meu jardim. Podou seus ramos,
e desde então seus dedos se multiplicaram,
sua voz se perpetuou em folhas
depois de cada inverno.
E quando o vento perpassa
os altos ramos do álamo generoso,
o tempo se dá por vencido,
a dor recolhe suas asas:
meu pai conversa comigo,
andando pela calçada
entre o meu coração e a sua morte.
Lya Luft
24/05/2011
18. Primeiro poema da cega
Sentaram-me sobre o mar neste rochedo inerte,
e ficarei aqui até que alguém me leve
(sempre para uma outra escuridão).
Respiro, escuto, sinto o mar, mas nunca
verei o embalo dessas ondas
nem a dança dos peixes e afogados.
Se não me buscam, certo que aqui durmo
respngada de espumas, golpeada de vento,
presa a este lugar impreciso e sem rosto,
sem nada perceber mais que o grito do mar
e meu próprio lamento.
Lya Luft
e ficarei aqui até que alguém me leve
(sempre para uma outra escuridão).
Respiro, escuto, sinto o mar, mas nunca
verei o embalo dessas ondas
nem a dança dos peixes e afogados.
Se não me buscam, certo que aqui durmo
respngada de espumas, golpeada de vento,
presa a este lugar impreciso e sem rosto,
sem nada perceber mais que o grito do mar
e meu próprio lamento.
Lya Luft
23/05/2011
17. Revelação
Quando chegaste,
redescobri em mim inocência e alegria.
Removi a máscara que sobrava:
nada havia a esconder de ti,
nem medo - a não ser partires.
Supérfluas as palavras,
dispensada a aparência, fiquei eu,
sem prumo,
como antes da primeira dúvida
e do último desencanto.
Quando chegaste,
escutei meu nome como num outro tempo.
O meu lado da sombra entregou
o que ninguém via:
as feridas sem cura e a esperança sem rumo.
Começa a crer, por mim, que o amor é possível,
e que a vida vale a pena e o pranto
de cada dia.
Lya Luft
redescobri em mim inocência e alegria.
Removi a máscara que sobrava:
nada havia a esconder de ti,
nem medo - a não ser partires.
Supérfluas as palavras,
dispensada a aparência, fiquei eu,
sem prumo,
como antes da primeira dúvida
e do último desencanto.
Quando chegaste,
escutei meu nome como num outro tempo.
O meu lado da sombra entregou
o que ninguém via:
as feridas sem cura e a esperança sem rumo.
Começa a crer, por mim, que o amor é possível,
e que a vida vale a pena e o pranto
de cada dia.
Lya Luft
22/05/2011
16. Viagem
Não é preciso morar na esquina
nem ser jovem ou belo:
o amor melhor é sempre dentro
e perto.
Chega inesperado,
vem forte vem doce, acalma
e desatina.
Se está na minha rua ou vem de fora,
ele ignora o tempo e a idade:
o amor é sempre
agora.
É vento sutil e mar sem beira:
o amor é destino de quem está aberto,
e dói sem remissão quando negado.
O melhor amor sacia a fome inteira:
mas tem que ser aceito,
tem de ser ousado, tem de ser
navegado.
Lya Luft
nem ser jovem ou belo:
o amor melhor é sempre dentro
e perto.
Chega inesperado,
vem forte vem doce, acalma
e desatina.
Se está na minha rua ou vem de fora,
ele ignora o tempo e a idade:
o amor é sempre
agora.
É vento sutil e mar sem beira:
o amor é destino de quem está aberto,
e dói sem remissão quando negado.
O melhor amor sacia a fome inteira:
mas tem que ser aceito,
tem de ser ousado, tem de ser
navegado.
Lya Luft
21/05/2011
15. Trapezista
A vida chega em silêncio:
desenovela reflexos,
interroga a esfinge
que responde ou nega
num espelho baço.
(A resposta nunca é clara
nem é pequena.)
Não é a mim que vejo:
é ao outro, num misto de incerteza
e esperança de que não seja
mais um rosto virado,
uma boca cerrada
- mais um desgosto
a cada passo.
Desejo, sonho e medo,
o amor é salto sem rede
entre a razão e a magia.
(E só assim vale a pena.)
Lya Luft
desenovela reflexos,
interroga a esfinge
que responde ou nega
num espelho baço.
(A resposta nunca é clara
nem é pequena.)
Não é a mim que vejo:
é ao outro, num misto de incerteza
e esperança de que não seja
mais um rosto virado,
uma boca cerrada
- mais um desgosto
a cada passo.
Desejo, sonho e medo,
o amor é salto sem rede
entre a razão e a magia.
(E só assim vale a pena.)
Lya Luft
20/05/2011
14. Quem sou
Do pai, a retidão e certa melancolia:
o olhar sobre o que vem atrás
do espelho. Da mãe,
a alegria. Da remota linhagem,
o novelo de fios que tramam
alma e imagem,
ninguém sabe quando e onde.
Mais os trabalhos e a dor, a fantasia,
a obstinada procura, alguma sorte,
muita esperança na bagagem.
(Dissabores fazem parte: maior
foi a celebração da vida.)
Entre o começo e a morte,
mar e miragem:
não há muito de mim
na personagem que contemplas.
(Há que buscar o que ela esconde.)
Lya Luft
o olhar sobre o que vem atrás
do espelho. Da mãe,
a alegria. Da remota linhagem,
o novelo de fios que tramam
alma e imagem,
ninguém sabe quando e onde.
Mais os trabalhos e a dor, a fantasia,
a obstinada procura, alguma sorte,
muita esperança na bagagem.
(Dissabores fazem parte: maior
foi a celebração da vida.)
Entre o começo e a morte,
mar e miragem:
não há muito de mim
na personagem que contemplas.
(Há que buscar o que ela esconde.)
Lya Luft
19/05/2011
13. Aviso
Se quiseres me amar,
terá que ser agora: depois
estarei cansada.
Minha vida foi feita de parceria com a morte:
pertenço um pouco a cada uma,
pra mim sobrou quase nada.
Ponho a máscara do dia, um rosto cômodo e simples,
e assim garanto a minha sobrevida.
Se me quiseres amar,
terá que ser hoje:
amanhã estarei mudada.
Lya Luft
terá que ser agora: depois
estarei cansada.
Minha vida foi feita de parceria com a morte:
pertenço um pouco a cada uma,
pra mim sobrou quase nada.
Ponho a máscara do dia, um rosto cômodo e simples,
e assim garanto a minha sobrevida.
Se me quiseres amar,
terá que ser hoje:
amanhã estarei mudada.
Lya Luft
18/05/2011
12. Rosto com dois perfis
Renuncio às palavras
e às explicações.
Ando pelos contornos,
onde todos os significados
são sutis, são mortais.
Não quero perder o momento
belo. Quero vivê-lo mais,
com a intensidade que exige a vida:
desgarramento e fulguração.
Então me corto ao meio e me solto
de mim:
a que se prende e a que voa,
a que vive e a que se inventa.
Duplo coração:
a que se contempla e a que nunca
se entende,
a que viaja sem saber se chega
- mas não desiste jamais.
Lya Luft
17/05/2011
11. Sobrevida
Quando foi bom o amor,
os mortos pedem
memórias doces
que não os pertubem,
e que a gente viva
sem muito desgosto:
mais nada.
Pedem silêncio
e que os deixemos
em paz.
Os mortos
precisam de mais espaço
do que em vida:
nesse seu novo posto
não devem olhar
para trás.
(Os mortos querem licença
para morrer mais.)
Lya Luft
16/05/2011
10. Ônus
A esperança me chama,
e eu salto a bordo
como se fosse a primeira viagem.
Se não conheço os mapas,
escolho o imprevisto:
qualquer sinal é um bom presságio.
Seja como for, eu vou,
pois quase sempre acredito:
ando de olhos fechados
feito criança brincando de cega.
Mais de uma vez saio ferida
ou quase afogada,
mas não desisto.
A dor eventual é o preço da vida:
passagem, seguro e pedágio.
Lya Luft
15/05/2011
9. Dança Lenta
Não somos nem bons nem maus:
somos tristes. Plantados entre chão
e estrelas, lutamos com sangue,
pedras e paus, sonho
e arte.
Nem vida nem morte:
somos lúcida vertigem,
glória e danação. Somos gente:
dura tarefa.
Com sorte, aqui e ali a ternura
faz parte.
Lya Luft
14/05/2011
8. O rio do tempo
O tempo não existe
nem dentro nem fora..
Esses peixes de opala
são nomes que nadam na memória:
são rostos, são risos, são prantos,
são as horas felizes.
O tempo não existe,
pois tudo continua aqui, e cresce
como se arredonda uma árvore
pesada de frutos que são peixes,
que são nomes de nomes, são rostos
com máscaras.
O tempo não existe. Sou apenas
o aqui e o presente, e o atrás disso,
como um rio que corre mas não passa
- pois ele é sempre, em mim, agora.
Lya Luft
nem dentro nem fora..
Esses peixes de opala
são nomes que nadam na memória:
são rostos, são risos, são prantos,
são as horas felizes.
O tempo não existe,
pois tudo continua aqui, e cresce
como se arredonda uma árvore
pesada de frutos que são peixes,
que são nomes de nomes, são rostos
com máscaras.
O tempo não existe. Sou apenas
o aqui e o presente, e o atrás disso,
como um rio que corre mas não passa
- pois ele é sempre, em mim, agora.
Lya Luft
13/05/2011
7. Infância
Névoa encostada na janela,
qualquer coisa roçando o telhado:
o medo me contornava
- talvez simplesmente o vento.
A escada de sombra, a aventura
dos degruas, na curva de madeira
os passo de quem não vinha
- ou de um coração atento.
Longas rosas de longa paciência,
os silêncios e os prantos:
alguém arranhando a parede
- ou eram apenas lembranças?
Algo sempre em moveimento:
a vida arrastando as pantufas
nos corredores do tempo
- fiquei esquecida num canto?
Lya Luft
qualquer coisa roçando o telhado:
o medo me contornava
- talvez simplesmente o vento.
A escada de sombra, a aventura
dos degruas, na curva de madeira
os passo de quem não vinha
- ou de um coração atento.
Longas rosas de longa paciência,
os silêncios e os prantos:
alguém arranhando a parede
- ou eram apenas lembranças?
Algo sempre em moveimento:
a vida arrastando as pantufas
nos corredores do tempo
- fiquei esquecida num canto?
Lya Luft
12/05/2011
6.Quando fecho a porta
Na parede atrás da minha mesa,
ombro a ombro,
a menina e seu pai, em dois retratos,
conversam sobre o que há no escuro
da noite, como entender o mundo,
e porque as montanhas eram tão azuis.
Quando apago a luz e fecho a porta,
eles riem baixinho desta que hoje sou:
ainda tão distraída e dessassogada,
cheia de encantamento, susto e assombro.
(E devem dizer, meneando as cabeças:
Parece que ela nuinca vai mudar.)
Lya Luft
ombro a ombro,
a menina e seu pai, em dois retratos,
conversam sobre o que há no escuro
da noite, como entender o mundo,
e porque as montanhas eram tão azuis.
Quando apago a luz e fecho a porta,
eles riem baixinho desta que hoje sou:
ainda tão distraída e dessassogada,
cheia de encantamento, susto e assombro.
(E devem dizer, meneando as cabeças:
Parece que ela nuinca vai mudar.)
Lya Luft
11/05/2011
5. Peixe azul
Ronda, peixe azul, no meu aquário:
gruda em minha boca de vidr a tua boca,
que do fio de teus regiros farei asas
ou barbatans que me levem junto.
Peixe azul, dormiremos no limo
que recobre o fundo dessas águas,
onde nos chama uma sereia
com riso de anjo e olhar de louca.
Somos todos escravos, peixe azul:
tu com escamas, eu com meus poemas.
O delíro é fácil e belo o cenário,
mas a ronda, peixe azul, também traz mágoas.
Lya Luft, in: Para não dizer adeus.
gruda em minha boca de vidr a tua boca,
que do fio de teus regiros farei asas
ou barbatans que me levem junto.
Peixe azul, dormiremos no limo
que recobre o fundo dessas águas,
onde nos chama uma sereia
com riso de anjo e olhar de louca.
Somos todos escravos, peixe azul:
tu com escamas, eu com meus poemas.
O delíro é fácil e belo o cenário,
mas a ronda, peixe azul, também traz mágoas.
Lya Luft, in: Para não dizer adeus.
10/05/2011
4. Todas as àguas
Quando pensei que estava tudo cumprido,
havia outra surpresa: mais uma curva
do rio, mais riso e mais pranto.
Quando calculei que tudo estava pago,
anunciaram-se novas dívidas e juros,
o amor e o desafio.
Quando achei que estava serena,
os caminhos se espalmaram
como dedos de espanto
em cortinas aflitas. E eu espio,
ainda que o olhar seja grande
e a fresta pequena.
Lya Luft
havia outra surpresa: mais uma curva
do rio, mais riso e mais pranto.
Quando calculei que tudo estava pago,
anunciaram-se novas dívidas e juros,
o amor e o desafio.
Quando achei que estava serena,
os caminhos se espalmaram
como dedos de espanto
em cortinas aflitas. E eu espio,
ainda que o olhar seja grande
e a fresta pequena.
Lya Luft
09/05/2011
3. Temporal
O tempo rasteja no telhado
depois de se fazerem filhos e dívidas,
e as dúvidas brotarem nas frestas
da porta.
O tempo trança bordados no rosto
e manchas na mão,
mas a gente não muda: ainda chove
no escuro e um pássaro começa a cantar,
um amigo morre antes dos quarenta anos,
e nossa mãe, com quase cem, nem está
nem se ausenta.
Como tudo o mais,
o tempo não tem explicação:
corrói e transfigura, expande
ou empobrece, conforme a escolha
de cada um.
(Eu, com medo e susto,
escolho a multiplicação.)
Lya Luft, in:
Para não dizer adeus.
08/05/2011
2. Perder, ganhar
Com as perdas, só há um jeito:
perdê-las.
Com os ganhos,
o proveito é saborear cada um
como uma fruta boa da estação.
A vida, como um pensamento,
corre à frente dos relógios.
O ritmo das águas indica o roteiro
e me oferece um papel:
abrir o coração como uma vela
ao vento, ou pagar sempre a conta
já vencida.
Lya Luft in: Para não dizer adeus.
perdê-las.
Com os ganhos,
o proveito é saborear cada um
como uma fruta boa da estação.
A vida, como um pensamento,
corre à frente dos relógios.
O ritmo das águas indica o roteiro
e me oferece um papel:
abrir o coração como uma vela
ao vento, ou pagar sempre a conta
já vencida.
Lya Luft in: Para não dizer adeus.
07/05/2011
Para não dizer adeus (1. Dizendo adeus)
Esta semana foi de emoções variadas, alegrias e tristezas, decepções. Mas valeu pelo belo presente que ganhei de uma amiga que é mais que uma irmã: um livro de poesias, e logo da Lya Luft. Deixo aqui uma concepção sobre poesia, e a seguir vou postar as belas poesias dessa sábia, madura e culta mulher, exemplo ímpar para muitas mulheres fúteis que encontramos pelo caminho, sem nada em suas cabecinhas ocas a não o desejo de "ter" e "aparentar ser" o que não são.
"... pois elas [as poesias], como o amor, são o sal da vida". Lya Luft
1. Dizendo Adeus
Estou sempre dando adeus:
também ao desencontro e ao
também ao desencontro e ao
desencanto.
Estou sempre me despedindo
do ponto de partida que me lança de si,
do porto de chegada que nunca é
aqui.
Estou sempre dizendo adeus:
até a Deus,
para o reencontrar em outra esquina
de adeuses.
Estarei sempre de partida,
até o momento de sermos deuses
quando me fizeres dar adeus à solidão
e à sombra.
Lya Luft,
in: Para não dizer adeus,
Rio de Janeiro: Ed. Record, 3.ed., p. 15.
27/04/2011
Amores
"O Céu pode nos dar um conforto celestial - e nenhum outro. E a Terra não pode nos dar conforto terreno algum... Nós fomos feitos para Deus. [...] Quando virmos a face de Deus, nós vamos saber que sempre soubemos. ELE participou de todas as nossas experiências de amor inocente na Terra - ELE as criou, manteve e moveu interiormente cada instante. Tudo que havia de amor verdadeiro nelas sempre foi, mesmo na Terra, bem mais dEle que nosso, e nosso apenas porque dEle. No Céu não haverá dor ou dever de abandonar nossos Amados terrenos. Primeiro, porque já os teremos abandonado, trocado os retratos pelo Original, os riachos pela Fonte, as criaturas que Ele tornou amáveis pelo Amor Absoluto. Segundo, porque encontraremos todos eles Nele. Amando a ELE mais que que a eles (nossos amados), nós os amaremos mais do que amamos hoje. [...] Aqui embaixo tudo é perda e renúncia."
(C. S. Lewis, Os quatro amores, Ed. Martins Fontes)
26/04/2011
Tortura
Tirar dentro do peito a emoção,
A lúcida verdade, o sentimento!
- E ser, depois de vir do coração,
Um punhado de cinza esparso ao vento!...
Sonhar um verso d'alto pensamento,
E puro como um ritmo d'oração!
- E ser, depois de vir do coração,
O pó, o nada, o sonho dum momento!...
São assim ocos, rudes, os meus versos:
Rimas perdidas, vendavais dispersos,
Com que eu iludo os outros, com que minto!
Quem me dera encontrar o verso puro,
O verso altivo e forte, estranho e duro,
Que dissesse, a chorar, isto que sinto!
Florbela Espanca
21/04/2011
Aqui eu te amo.

Aqui eu te amo.
Nos escuros pinheiros se desenlaça o vento.
Fosforece a lua sobre as águas errantes.
Andam dias iguais a perseguir-se.
Descinge-se a névoa em dançantes figuras.
Descinge-se a névoa em dançantes figuras.
Uma gaivota de prata se desprende do ocaso.
Às vezes uma vela. Altas, altas, estrelas.
Ou a cruz negra de um barco.
Ou a cruz negra de um barco.
Só.
Às vezes amanheço, e minha alma está úmida.
Soa, ressoa o mar distante.
Isto é um porto.
Aqui eu te amo.
Aqui eu te amo e em vão te oculta o horizonte.
Aqui eu te amo e em vão te oculta o horizonte.
Estou a amar-te ainda entre estas frias coisas.
Às vezes vão meus beijos nesses barcos solenes,
que correm pelo mar rumo a onde não chegam.
Já me creio esquecido como estas velha âncoras.
Já me creio esquecido como estas velha âncoras.
São mais tristes os portos ao atracar da tarde.
Cansa-se minha vida inutilmente faminta.
Eu amo o que não tenho. E tu estás tão distante.
Meu tédio mede forças com os lentos crepúsculos.
Meu tédio mede forças com os lentos crepúsculos.
Mas a noite enche e começa a cantar-me.
A lua faz girar sua arruela de sonho.
Olham-me com teus olhos as estrelas maiores.
Olham-me com teus olhos as estrelas maiores.
E como eu te amo, os pinheiros no vento,
querem cantar o teu nome, com suas folhas de cobre.
***
Pablo Neruda
Pablo Neruda
18/04/2011
Aninha e suas pedras
Não te deixes destruir...
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha
um poema.E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.
Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.
Cora Coralina (Outubro, 1981)
15/04/2011
Maria das Quimeras
"Maria das Quimeras me chamou alguém...
Pelos castelos que eu ergui
P'las flores d'oiro e azul que a sol teci
Numa tela de sonho que estalou.
.
Maria das Quimeras me ficou;
Com elas na minh'alma adormeci.
Mas, quando despertei, nem uma vi
Que da minh'alma, Alguém, tudo levou!
.
Maria das Quimeras, que fim deste
Às flores d'oiro e azul que a sol bordaste,
Aos sonhos tresloucados que fizeste?
.
Pelo mundo, na vida, o que é que esperas?...
Aonde estão os beijos que sonhaste,
Maria das Quimeras, sem quimeras?..."
.
Florbela Espanca
14/04/2011
"Mãos"
"Mãos..."
Como aves desarvoradas
Depois de roteiros vãos
Tuas mãos vieram, cansadas,
Se aninhar em minhas mãos...
Há momentos... Acontece...
Puro, o amor pode ficar,
Como duas mãos em prece,
Esquecidas, a rezar...
Quando maior é o carinho
Às vezes, tenho a impressão
De que conversam baixinho...
Tua mão... em minha mão..."
J. G. de Araújo Jorge (1914 / 1987),
do livro "Trevo de Quatro Versos"
1a ed. 1964
10/04/2011
É outono.
É outono. E é Verlaine... O Velho Outono
Ou o Velho Poeta atira-me à janela
Uma das muitas folhas amarelas
De que ele é o dispersivo dono...
E há uns salgueiros a pender de sono
Sobre um fundo de pálida aquarela.
Mário Quintana
08/04/2011
Basta pensar
Basta pensar em sentir
Para sentir em pensar.
Meu coração faz sorrir
Meu coração a chorar.
Depois de parar de andar,
Depois de ficar e ir,
Hei de ser quem vai chegar
Para ser quem quer partir.
Viver é não conseguir.
Fernando Pessoa
06/04/2011
Mãos Dadas
Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considere a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.
Carlos Drummond de Andrade
Carlos Drummond de Andrade
29/03/2011
Noites de Tormenta (Nights in Rodanthe, 2008 - EUA/Austrália)
Adrienne Willis (Diane Lane) vive num caos, o que faz a buscar refúgio em Rodanthe, uma pequena cidade litorânea na Carolina do Norte, para onde vai cuidar da pousada da amiga Jean (Viola Davis), esperando poder refletir sobre seus problemas com Amanda (Mae Whitman), a filha adolescente, com o filho de 9 anos, Danny (Charlie Tahan) e com o ex-marido, Jack (Christopher Meloni ), que quer voltar para casa. O único hóspede é dr. Paul Flanner (Richard Gere), que enfrenta uma crise de consciência. Durante mais um furacão, comum na quela região, eles vão se conhecendo, buscando consolo e apoio um no outro, tendo um fim de semana que mudará para sempre as suas vidas.
Minha nota: *****
Site Oficial: www.noitesdetormenta.com.br
"Há um tipo de amor que nos faz pensar que tudo é possível. Você pode ter um amor assim. Não se contente com menos que isso!"
Patê de Tofu
Ingredientes
250 gramas de tofu
3 cenouras cozidas (200 g)
2 alhos crus descascados
1 col. (sopa) de azeite de oliva extra-virgem processado a frio
2 col. (sopa) de salsinha picada
sal à gosto
Modo de Preparo
Bata todos os ingredientes no liqüidificador e sirva com torradas de pão integral (de linhaça, de aveia, centeio).
Rendimento = 18 col. (sopa) de 25 gramas
Calorias por porção = 20
Benefícios do Patê de Tofu
Feito a partir do leite de soja, o tofu é um queijo de sabor levemente adocicado e considerado rica fonte de proteínas de alto valor biológico. Tem baixo valor calórico (100 gramas = 73 calorias), é isento de colesterol e apresenta pouquíssima quantidade de gorduras saturadas. É fonte de cálcio, ferro, fósforo, sódio e vitaminas B e E. Contribui para a prevenção de doenças cardiovasculares e ainda pode auxiliar no emagrecimento, uma vez que a soja tem ação termogênica. O Tofu pode substituir com sucesso o queijo de leite de vaca. Seu uso na culinária é bastante versátil, pode ser usado tanto em pratos doces como salgados.
28/03/2011
O Gladiador (Gladiator, 2000, EUA)
O ano é de 180 d.C. e o general romano Maximus, servindo ao seu imperador Marco Aurélio, prepara seu exército para impedir a invasão dos bárbaros germânicos. Após o combate, Maximus fica sabendo que Marco Aurélio, já velho e ciente de sua morte, quer lhe passar o comando do Império Romano. A trama onde Commodus, filho do imperador, mata o pai, assumindo o comando do Império, não é historicamente verídica. Na verdade, Commodus assumiu quando seu pai morreu afetado por uma peste, adquirida durante uma nova campanha no Danúbio. Enquanto Commodus assume o trono, Maximus que escapa da morte, torna-se escravo e gladiador, travando batalhas sangrentas no Coliseu, a nova forma de divertimento dos romanos. Maximus, disposto a vingar o assassinato de sua mulher e de seu filho, sabe que é preciso triunfar para ganhar a confiança da platéia. Acumulando cadáveres nas arenas o gladiador luta por uma causa pessoal, de forma quase que solitária e leva benefícios ao povo, submetido pela política do "pão e circo". "Nesta vida ou na próxima eu terei minha vingança". Maximus sabe que o controle da multidão será vital para que possa arquitetar sua vingança, que culmina em um combate com o próprio Commodus.
O filme foi indicado a vários prêmios, vencendo cinco Oscars incluindo o de Melhor Filme.
Elenco:
Russell Crow - Máximus Décimus Meridius
Joaquin Phoenix - Cómodo
Connie Nielsen- Lucila
Oliver Reed - Antônio Próximo
Richard Harris - Marco Aurélio
Derek Jacobi - Gracco
Djimon Hounsou - Juba
David Schofield -Falco
John Shrapnel - Gaius
Tomas Arana - Quintus
Tommy Flanagan - Cícero
Minha nota: *****
26/03/2011
Suplício de uma Saudade (A Love Is a Many Splendored Thing, 1955)
Esta é uma das mais lindas e famosas histórias de amor das telas cinematográficas. Ambientado em Hong Kong durante a Guerra da Coréia, o filme narra a história de um correspondente de guerra americano (William Holden) e seu amor por uma linda médica eurasiana (Jennifer Jones). À medida que seu amor cresce, surgem problemas para atrapalhar sua felicidade. Ele deixou uma esposa em casa, e ela enfrenta a desaprovação de sua família e amigos. O destino também não parece querer ajudar. Todo o exótico esplendor de Hong Kong foi brilhantemente capturado pela magnífica fotografia de Leon Shamroy, e a trilha sonora vencedora vencedora do Oscar® (Melhor Trilha Sonora, 1955) e a canção título (Melhor Canção Original, 1955) está entre as melhores já compostas para o cinema. Suplício de uma Saudade é indiscutivelmente um ponto alto da melhor tradição em filmes românticos de Hollywood.
Direção: King Vidor
Elenco:
William Holden...Mark ElliottJennifer Jones...Dr. Han SuyinTorin Thatcher...Mr. Palmer-JonesIsobel Elsom...Adeline P. JonesMurray Matheson...Dr. John Keith
22/03/2011
Se eu te amasse mais...
“Se eu te amasse mais do que te amo agora,
Não teria a certeza que tenho de que vivo.
Eu vou te amar assim por essa vida afora,
Guardando pra nós dois a causa e o motivo.
Se eu te amasse mais do que te amo agora,
Eu sei que meu olhar não te diria tanto,
Não te amei de repente e nem escolhi a hora,
Mas cuide deste amor mesmo que haja pranto.
Às vezes, como hoje, eu só te sorriria.
Mas não importa muito, no amor não há demora.
E se te amasse mais talvez eu erraria.
Te dou o amor que tenho, amor que ri e que chora,
Seria um tempo em vão, eu sei que morreria,
Se eu te amasse mais do que te amo agora”.
Não teria a certeza que tenho de que vivo.
Eu vou te amar assim por essa vida afora,
Guardando pra nós dois a causa e o motivo.
Se eu te amasse mais do que te amo agora,
Eu sei que meu olhar não te diria tanto,
Não te amei de repente e nem escolhi a hora,
Mas cuide deste amor mesmo que haja pranto.
Às vezes, como hoje, eu só te sorriria.
Mas não importa muito, no amor não há demora.
E se te amasse mais talvez eu erraria.
Te dou o amor que tenho, amor que ri e que chora,
Seria um tempo em vão, eu sei que morreria,
Se eu te amasse mais do que te amo agora”.
Letra de Martinha (Martha Vieira Figueiredo Cunha)
“[...] Minha vida é monótona. [...] Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas... É preciso ser paciente[...]
- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde às três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade!”
...] Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos [...]
- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar [...]
- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...”
A Raposa - O Pequeno Príncipe, Antoine de Saint-Éxupéry.
- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde às três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade!”
...] Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos [...]
- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar [...]
- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...”
A Raposa - O Pequeno Príncipe, Antoine de Saint-Éxupéry.
21/03/2011
" Desabafo..."
" Desabafo..."
Longe de ti, este amor me põe agitado
como um mar de agosto.
Eu precisaria talvez de fazer uma sangria
nesta angustiosa saudade
que carrego opresso, tantas horas
como um sonho desenganado.
Recuo sempre, entretanto. Avaramente recuo.
Não sei partilhar-te com ninguém,
ainda que seja para aliviar
o coração.
J. G. de Araújo Jorge
19/03/2011
A verdadeira arte de viajar
A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,
Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.
Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali...
Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!
(Mário Quintana in “A cor do invisível”)
16/03/2011
Por quem os sinos dobram?
“Nenhum homem é uma ilha, sozinho em si mesmo; cada homem é parte do continente, parte do todo; se um seixo for levado pelo mar, a Europa fica menor, como se fosse um promontório, assim como se fosse uma parte dos teus amigos ou mesmo sua; a morte de qualquer homem me diminui, porque eu sou parte da humanidade. E por isso, nunca procure saber por quem os sinos dobram; eles dobram por ti e por mim."
John Donne
15/03/2011
Vaga história
...Vaga história comezinha
que, pela voz das vozes, era a minha...
Quem sou eu? Eles sabem e passaram.
Fernando Pessoa
14/03/2011
A vida
"... A vida é assim, segue e verás, - a vida
é um dia de esperança, um longo poente
de incertezas cruéis, e finalmente
a grande noite estranha e dolorida...
Hoje o sol, hoje a luz, hoje contente
a estrada a percorrer suave e florida...
- amanhã, pela sombra, inutilmente
outra sombra a vagar, triste e perdida...
A vida é assim, é um dia de esperança
uma réstia de luz entre dois ramos
que a noite envolve cedo, sem tardança...
E enquanto as sombras chegam, nós, ao vê-las,
ainda somos felizes e encontramos
a saudade infinita das estrelas!..."
J. G. de Araujo Jorge
é um dia de esperança, um longo poente
de incertezas cruéis, e finalmente
a grande noite estranha e dolorida...
Hoje o sol, hoje a luz, hoje contente
a estrada a percorrer suave e florida...
- amanhã, pela sombra, inutilmente
outra sombra a vagar, triste e perdida...
A vida é assim, é um dia de esperança
uma réstia de luz entre dois ramos
que a noite envolve cedo, sem tardança...
E enquanto as sombras chegam, nós, ao vê-las,
ainda somos felizes e encontramos
a saudade infinita das estrelas!..."
J. G. de Araujo Jorge
08/03/2011
04/03/2011
Somewhere In Time/ Em Algum Lugar do Passado - 1980
Universidade de Millfield, maio de 1972. Richard Collier (Christopher Reeve) é um jovem teatrólogo que conhece na noite de estréia da sua primeira peça uma senhora, idosa, que lhe dá um antigo relógio de bolso enquanto, em tom de súplica, lhe diz: "volte para mim". Ela se retira sem dizer mais nada, deixando Richard intrigado enquanto volta para seu quarto no Grand Hotel. Chicago, 1980. Richard não consegue terminar sua nova peça, assim decide viajar sem destino certo e resolve se hospedar no Grand Hotel. Lá resolve visitar o Salão Histórico, que esta está repleto de antiguidades e curiosidades do hotel, e fica encantado com a fotografia de uma bela mulher. Como não havia plaqueta de identificação Richard procura Arthur Biehl (Bill Erwin), um antigo funcionário do hotel, que diz para Richard que o nome dela é Elise McKenna (Jane Seymour), uma atriz famosa que fez uma peça no teatro do hotel em 1912. Collier fica tão obcecado com o rosto de Elise que decide não partir e então vai até uma biblioteca próxima, onde pesquisa sobre McKenna. Para sua surpresa descobre que Elise é a mesma mulher que lhe deu o relógio, que ele carrega até hoje. Richard então procura Laura Roberts (Teresa Wright), que escreveu o artigo sobre Elise. Inicialmente ela não o recebe bem, mas quando ele mostra o relógio Laura fica espantada, pois era uma objeto de estimação que ela nunca se separava e sumiu na noite em que ela morreu, ou seja, na noite em que falou com Richard. Ao conversar mais calmamente com Laura, Richard toma consciência que ele e Elise tinham vários fatores em comum, mas parece que para achar a peça que falta deste bastante intricado quebra-cabeças ele terá de ir em algum lugar do passado, mas para isto precisa se desligar totalmente do presente. (http://www.adorocinema.com.br/)
28/02/2011
Sometimes late at night (Se o amanhã não chegar)
Sometimes late at night
I lie awake and watch her sleeping
She's lost in peaceful dreams
So I turn out the lights and lay there in the dark
And the thought crosses my mind
If I never wake up in the morning
Would she ever doubt the way I feel
About her in my heart
If tomorrow never comes
Will she know how much I loved her
Did I try in every way to show her every day
That she's my only one
And if my time on earth were through
And she must face the world without me
Is the love I gave her in the past
Gonna be enough to last
If tomorrow never comes
'Cause I've lost loved ones in my life
Who never knew how much I loved them
Now I live with the regret
That my true feelings for them never were revealed
So I made a promise to myself
To say each day how much she means to me
And avoid that circumstance
Where there's no second chance to tell her how I feel
If tomorrow never comes
Will she know how much I loved her
Did I try in every way to show her every day
That she's my only one
And if my time on earth were through
And she must face the world without me
Is the love I gave her in the past
Gonna be enough to last
If tomorrow never comes
If tomorrow never comes
Will she know how much I loved her
Did I try in every way to show her every day
That she's my only one
And if my time on earth were through
And she must face the world without me
Is the love I gave her in the past
Gonna be enough to last
If tomorrow never comes
So tell that someone that you love
Just what you're thinking of
If tomorrow never comes
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